Manual de Adestramento      

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Agressividade Canina –.

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Dicas de ouro para ter um cão educado..

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Adestramento Virtual –.

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   Importância da Liderança


O adestramento tem como objetivo fazer com que o cão e seu dono tenham a melhor comunicação possível. Se os dois não “falarem a mesma língua” ninguém se entende, e a confusão se instala. Para tanto, precisamos entender como um cão vê o mundo, a agir sobre esta estrutura. Não podemos esperar que o cão entenda o mundo da mesma maneira que nós humanos.

Os cães vivem em grupos, e, como em todo grupo, a matilha também tem regras que devem ser seguidas para que a organização do grupo funcione. Uma das características mais marcantes de uma matilha é o seu sistema hierárquico, onde temos um só líder, e os demais membros vão se estabelecendo nos diversos níveis hierárquicos.

Quanto mais alta a posição na pirâmide, maiores são as responsabilidades deste membro. Na base da pirâmide estão os membros mais fracos da matilha e os filhotes. Ao líder cabem várias prerrogativas, como a de comer primeiro, cobrir as fêmeas por exemplo, e cabe a responsabilidade de manter a matilha protegida. Cabe também a definição das regras que vão garantir o funcionamento, e até mesmo a sobrevivência, da matilha. Todos os demais membros devem se submeter e respeitar tais regras, pois do contrário serão expulsos da Matilha.

Quando educamos um filhote, estamos na verdade transportando este esquema da matilha para nossa casa. Ou seja: temos que estabelecer níveis hierárquicos onde o cão estará sempre em posição inferior ao dono. Crianças sempre estarão na base desta pirâmide, pois são “filhotes humanos”. Quando o cão se tornar adulto ele se posicionará a um nível abaixo do dono, mas acima das crianças da casa.

Um adestramento só poderá ser considerado bem sucedido se conseguir que o dono do cão aprenda a ser líder.

Ser um líder não é simplesmente reprimir o filhote. Ser um líder é dar limites ao cão, é mostrar o que ele pode ou não fazer. Um cão não tem poder de discernimento, portanto não sabe avaliar o que pode ou não comer; o que é ou não perigoso; o que é um comportamento agradável ou não. Ao darmos limites a um cão estamos mostrando a ele que este papel cabe a nós. Com isso não colocamos sobre o pobre filhote o peso de saber garantir a própria sobrevivência.

Quando o dono não assume o papel de líder o cão acredita que o líder deva ser ele. E isso acontece quando a sua “dona” se transforma em “cadela” Deve haver um limite muito bem demarcado de onde ela é a dona e em que momento ela se transforma em cadela.

Então temos um filhote indefeso se sentindo na obrigação de garantir a sobrevivência e segurança da matilha, no caso a sua família. Invariavelmente isto gera um cão tremendamente ansioso por assumir um cargo para o qual não está habilitado.

Outro efeito claro de cães que não têm um líder e regras e rotinas estabelecidas, é que estes cães não sabem qual é o comportamento que seus donos querem deles. Com isso eles não sabem como agradar o dono. O problema é que na maioria das vezes eles tentam agradar assumindo comportamentos que os donos detestam, mas não foram capazes reprimir. Alguns exemplos claros deste tipo de comportamento: pulam nos donos; tentam copular nas pernas, tentam conseguir atenção na marra; mordem os donos para brincar; roubam objetos para que o dono tenha que sair correndo atrás deles; etc. O que se cria aqui é um círculo vicioso: o cão não tem limites, e sempre que seu dono vai brincar com ele, acaba se irritando. Em outras palavras: cães que não conhecem limites costumam ser muito chatos, e por consequência tremendamente carentes e infelizes.

Existem também cães que se tornam os líderes da matilha e fazem o que querem em casa. Estes cães não tem o hábito de obedecer ao dono. São cães cujos donos nunca se preocuparam em estabelecer uma relação de comando. No entanto, tais donos costumam ficar furiosos quando dão ordens a seus cães, e estes não tomam conhecimento. Ora, se a relação de comando não foi estabelecida anteriormente, o cão não terá porque obedecer a este dono. A obediência deve ser um hábito do cão, e não uma concessão. Quando o cão pode decidir se obedece ou não, é por que esta relação não está clara.

Quando nos firmamos como líder da nossa matilha, estamos estabelecendo uma relação clara de obediência. Esta relação vai garantir a estabilidade emocional do nosso filhote; garantir que teremos um cão que se comportará da forma que queremos; e muitas vezes garantir a segurança dele.

Quem é o(a) Chefe(a)?


A relação entre um cão e seu dono sempre funciona da mesma forma: um manda e o outro obedece. A função de mandar cabe sempre ao líder. Numa matilha sempre haverá um cão que mandará, aos outros caberá aceitar as decisões do líder e obedecer. (comportamento que a fêmea deve assumir, enquanto “cadela”).

Quando falamos de um cão e seu dono a relação se repete. Um cão mandar em seu dono é uma situação muito mais comum do que se imagina. Existem casos óbvios de cães que mandam em donos. Casos em que qualquer pessoa percebe. O dono dá alguma ordem, e o cão nem toma conhecimento. Normalmente estes cães são verdadeiras pragas, destrutivos, sem nenhum limite. O dono é incapaz de se impor.

Muitos donos, no entanto, são dominados por seus cães sem perceber (ou até mesmo percebendo que se tornou submisso). Normalmente são cães obedientes, bonzinhos, carinhosos, e muito malandros. Eles mandam nos donos de forma tão doce, que os donos nem percebem que estão sendo mandados.

 Você sabe mesmo quem manda na sua relação com seu cachorro? Então vamos lá: Veja as situações que descrevo abaixo, e veja em quantas você já esteve.

·         O filhote passa sua primeira noite sozinho no quintal, e chora sem parar. Você, com medo de incomodar os vizinhos, vai até lá fora para acalmá-lo.

·         Você está comendo e seu filhote fica te pedindo comida: late; pula; tenta roubar a comida, etc. Você acaba se enchendo e dá logo alguma coisa, só para ele parar de te infernizar. pulando.jpg (7423 bytes)

·         Você não consegue fazer com que ele não pule em você, e nas visitas.

·         Você vai passear com seu cachorro, e ele te puxa até que você vá para onde ele quer, na velocidade que ele quer.

·         Seu cão vem te pedir carinho, mas não aceita que você esteja ocupado. Ele fica insistindo, até que você dê atenção a ele.

·         Você chama, e ele não vem até você.

·         Ele pega alguma coisa sua e sai correndo, certo de que você correrá atrás dele. Ele adora esta brincadeira!

·         Ele não permite que outros cães ou machos cheguem perto de você (quando você também for “cadela”)

Se estas situações são comuns no convívio com seu cão, significa que ele é bem mais esperto do que você imaginava. Perceba que em todos os casos o que prevalece é a vontade do cão, não a do dono. Isto é liderança.(dele, claro)

Mas não se afobe! Isto tem cura! O que você deve fazer é ensinar o seu cão a obedecer, isto é: adestra-lo. O adestramento de um cão é exatamente isto: ensinar o cão a obedecer. A vontade do dono deve ser suprema. À primeira vista isto pode parecer muito autoritário, mas não é. Os cães "funcionam" desta forma há séculos.

Você pode adestrá-lo sozinho, existem livros que ensinam como você pode adestra-lo; ou pode procurar a ajuda de um profissional. O importante é você deixar claro para o seu cão que o líder é você.

A primeira coisa que você deve fazer é deixar bem claro ao seu cão o que você GOSTA que ele faca, e o que você NÃO GOSTA. É bem simples: quando ele fizer algo que você gosta, elogie-o, faca carinho, dê um biscoito, etc... E quando o que ele estiver fazendo alguma coisa que você não queira, brigue com ele, dê uma bronca. Mas cuidado! Se ele estiver fazendo algo só para chamar sua atenção, uma bronca irá recompensa-lo, por que de uma forma ou de outra você está dando atenção a ele, que era o que ele queria. Quando você perceber que a situação é esta ignore-o. Nada é mais negativo para seu cão do que ser ignorado, logo ele mudará de atitude. Esta, aliás, é a melhor forma de evitar que seu cão pule em você.

Primeira dica - evitando os pulos

Faca o seguinte: vá brincar com seu cão; estimule-o a pular em você (bata palmas, faca bagunça com ele, etc.); no momento em que ele pular, vire imediatamente de costa para ele, olhe para cima, como se ele não estivesse lá. Ele ficará muito frustrado. Espere alguns segundos e repita o mesmo exercício. A ideia é que você brinque com ele até que ele pule, então você para. Não vai demorar muito para ele perceber que o que faz você ignora-lo é o pulo. Então ele irá "experimentar" não pular. Pronto! Você chegou onde queria! Faca muita festa!! Dê um biscoito (é sempre bom ter alguns à mão), ou mesmo dê um brinquedo pra ele. O importante aqui é que suas reações sejam imediatas. Deixe bem claro que o que você não gosta é do pulo, mas enquanto ele fica no chão a brincadeira não acaba.

Para que ele comece a “cruzar” apenas quando você quiser, escolha uma ordem e um gesto (bater na bunda, por exemplo), fique de 4, se ele tentar montar sem você mandar, fique imediatamente de pé e olhe para o outro lado, repita isso até ele parar de tentar montar, aí use o comando e o gesto para fazê-lo montar.

Os cães costumam gostar de ser adestrados. Para ele é tudo uma brincadeira, e quando ele acerta, ganha um prêmio. E quando o prêmio é um elogio seu, ele ganha o dia.

Seu cão fará tudo para vê-lo feliz, desde que ele saiba o que te faz feliz. É só você mostrar.

 

Perguntas Frequentes sobre Adestramento


1.     Por que é importante adestrar um cão?

Quando adestramos um cão estamos na verdade ensinando-o a obedecer, fazendo com que ele associe a obediência a uma recompensa. (cruzando com você, por exemplo). Da mesma forma fazemos com que ele associe a desobediência com algo negativo.

Além de estimular o cão a obedecer, o adestramento também nos ensina como mostrar ao cão quais os comportamentos que gostamos, e que, portanto, queremos manter, e quais nós não aprovamos, e queremos eliminar.

Desta forma, quando temos um cão adestrado temos um cão comportado, agradável.

2.     Com que idade devemos começar adestrar um filhote?

Quanto mais cedo começamos a adestrar um filhote, mais fácil será o seu aprendizado. Portanto, a melhor época para se começar um adestramento é quando o filhote já tiver tomado todas as vacinas e tiver sido liberado para sair na rua.

Se o proprietário quiser começar o adestramento antes disso, o adestramento deve ser feito dentro de casa, pois o filhote não estará devidamente imunizado para sair às ruas, podendo pegar várias doenças perigosas.

3.     Existe uma idade limite para um cão aprender?

Da mesma forma que um humano, um cão também passa por fases de desenvolvimento e amadurecimento até tornar-se adulto. O ideal é que se comece um adestramento antes da adolescência dos cães, que nas raças pequenas e médias começa aos 12 meses, e nas raças maiores começa dos 14 aos 18 meses. Quanto maior a raça, mais tarde ele se tornará adulto.

Quanto mais maduro o filhote, menos suscetível ele estará em aceitar a liderança do proprietário, pois já terá desenvolvido uma série de vícios de comportamento, e, principalmente, uma forma de relacionamento com seu dono. Justamente esse vícios são os mais difíceis de corrigir, pois são vícios tanto do cão como do dono.

Portanto, quanto mais velho for o cão quando começamos um adestramento maior deve ser a intensidade e a frequência do treinamento, porque neste caso temos que “correr contra o tempo”.

Depois de uma certa idade do cão, torna-se mais difícil ele entender que você quer “cruzar”, fica inibido porque não aprendeu que você pode ser “cadela” dele. A idade ideal é até os 3 anos.

4.     O cão adestrado obedecerá qualquer pessoa, inclusive um estranho?

O cão adestrado só obedece a um membro que ele aceite como sendo seu líder. Ele obedece ao adestrador por este ter desenvolvido previamente com o cão uma relação de liderança e confiança.

Mesmo se uma pessoa conhecida der um comando, o cão pode não obedecer por não considerar tal pessoa como seu líder, e por consequência, não ser merecedora de obediência.

A obediência deste cão está ligada a um sentido de lealdade, e a um reflexo condicionado

5.     Devemos adestrá-lo em outra língua?

Esta é uma crença antiga: que deveríamos adestrar um cão de guarda numa língua estrangeira, para que o ladrão não pudesse dar ordens ao cão. A reposta da pergunta anterior já responde a questão.

É impossível negar, porém, que certas línguas como o inglês têm palavras mais próprias ao adestramento por serem mais curtas. São monossílabos de sons bem distintos e, portanto, mais fáceis do cão captar. Então ao invés de “senta”, teríamos “sit”; ao invés de “deita” “down”; no lugar de “fica” “stay”, etc.

6.     Meu cão vai perder a espontaneidade sendo adestrado?

Não! O cão adestrado não é um robô programado. É simplesmente um cão que sabe entender o que o dono quer dele. Isto porque ele foi treinado a saber o que significava cada palavra, e foi recompensado quando soube o que fazer ao receber um comando. Sabe também que tipo de comportamento seu dono gosta, ou não, dele. Tudo isso foi desenvolvido durante o adestramento.

O cão adestrado é igual a qualquer outro cão: gosta de brincar, de correr a trás de uma bolinha, de fazer carinho no dono... Enfim, igual a qualquer outro.

7.     Quanto tempo leva o adestramento?

Cada cão tem um tempo diferente de aprendizado, assim como cada dono também. Como se pode ver, não é fácil se estabelecer um tempo fixo para que este processo se desenvolva. Vamos dizer que no mínimo 8 meses.

8.     É preciso usar forca bruta para educarmos um cão?

Há algumas décadas atrás se acreditava que a melhor forma de se educar um cão era através do tranco, do medo. Hoje se sabe que trabalhar com estímulos positivos, isto é recompensando o cão sempre que ele acerta, tem resultados bem melhores, pois incentiva o cão a trabalhar como se tudo fosse uma grande brincadeira.

9.     Qual o objetivo principal do adestramento?

Um adestramento bem feito fará com que o cão e seu proprietário tenham a melhor relação possível.

Como se faz isso? Fazendo com que eles “falem a mesma língua”. Para isso precisarmos ensinar o cão a obedecer comandos. Da mesma forma precisamos ensinar o proprietário como seu cão entende o mundo, como ser líder de seu cão, como dar comandos, e como recompensa-lo

11.  Todo cão tem que ser adestrado?

Um cão não nasce sabendo como se comportar. Cabe a nós educá-lo mostrando o que ele deve (ou não) fazer; como ele deve (ou não) se comportar. É aí que entra o adestramento: ajudando a educar o cão.

É comum o pensamento de que adestramento é só para cães grandes, e que os de raças pequenas ou médias estariam isentos deste aprendizado por não serem considerados perigosos. No entanto sabemos que o adestramento não é feito unicamente para controlar um cão feroz. O adestramento é feito para educarmos um cão nos mais variados aspectos, que pode ser ensiná-lo a não pular nas visitas, ou mesmo ensinando-o a não ir para a rua só porque o portão está aberto.

12.  Como escolher o adestramento?

Dê sempre preferência aos adestramentos que trabalhem com reforço positivo. Mesmo esses precisam de uma grande atenção: muitos adestradores (mesmo que trabalhando com reforço positivo) trabalham dando trancos no cão para que ele aprenda. É comum que eles deem um tranco no enforcador para cima, para fazer o cão sentar. Assim que o cão se senta, o adestrador para de puxar a guia. Ou seja: o cão aprende que enquanto ele não se sentar, vai sentir dor. O cão atende ao comando com medo da dor. Por mais que este adestrador dê petiscos para esse cão, ainda estamos trabalhando com reforço negativo, pois o que gera a obediência é o medo da dor. Este tipo de adestramento é muito comum. E o que é mais complicado disso tudo, é dito que é um trabalho com reforço positivo porque realmente se acredita nisso. São apenas métodos muito ultrapassados.

O ideal é que você possa ver um adestrador trabalhando para ver como ele trabalha. Só assim você poderá avaliar como você irá tratar o seu cão.

13.  É possível um cão tornar-se agressivo ou rebelde por causa do adestramento?

O normal é se  estabelecer uma boa relação com o cão, incentivando-o a obedecer. O cão encara o adestramento como uma brincadeira em que ele “joga” para merecer a recompensa.

Este tipo de reação adversa, como agressividade e rebeldia, não são comuns, a não ser que o cão esteja sofrendo maus tratos, ou que este esteja sendo estimulando o comportamento agressivo do cão, de forma leviana.

14.  Como saber se um cão está sendo mal tratado num adestramento?

Não é tão fácil perceber estas coisas. Muitas vezes o cão não dá muitos sinais do que está acontecendo, e não é raro que, apesar de apanhar, o cão goste bastante do dono.

No entanto alguns cães maltratados mostram seu descontentamento fugindo do adestramento. Isto é: assim que percebem que vai começar uma sessão, eles somem, se escondendo pela casa.

15.  Existem raças que não aprendem?

Não! O que existe é a maneira certa ou errada de abordar um cão. Cada raça, assim como cada cão, têm formas diferentes de serem motivadas ao adestramento. Certos cães são capazes de trabalhar apenas para receber um agrado; outros fazem qualquer coisa por uma bolinha; outros ainda por um biscoito. Enfim: nem sempre conseguimos identificar o que motiva um cão. E um cão desmotivado paralisa o processo de aprendizagem. No entanto, existem cães que não aceitam montar em humanos, os instintos de macho dele, não se tornaram muito presentes. (Nesse caso, tente usar urina de cadela no cio ou o líquido do cio, umedecendo com um algodão e passando na virilha, próximo à vagina, para guardar, coloque num frasco bem fechado e coloque na geladeira, usando quando precisar)

16.  É verdade que não se deve dar uma ordem a um cão usando o nome dele?

Não. A não ser que você só chame seu cão pelo nome para dar bronca. Mas o normal é que a gente use o nome do cão “para o bem e para o mal”. A gente tanto usa o nome dele para dar bronca, como também para dar comida, ou para sair para passear. Portanto, isto também é mais uma antiga crença que deve ser esquecida.

17.  É possível ensinar qualquer cão a fazer guarda?

Existem algumas raças que foram desenvolvidas especificamente para a função de guarda como, por exemplo, o pastor alemão, o rottweiler etc. Estes cães exercem essa função quase naturalmente, por puro instinto. Nestes casos, o adestramento tem a função de lapidar este instinto, para que ele faca uma guarda mais eficiente.

Por outro lado, outras raças foram desenvolvidas para outras finalidades como, por exemplo, o labrador, o weimaraner, ou o golden, que foram desenvolvidos para a caca. Eles não possuem temperamento adequado, nem instinto, para a função de cão guarda. Portanto, um adestramento de guarda nestes cães seria trabalho e dinheiro jogados fora.

 

   

Agressividade Canina


Uma dúvida frequente de proprietários diz respeito ao problema dos cães agressivos e como agir para evitar que os cães se envolvam em acidentes graves como ataques a pessoas e crianças.

Especialmente após a divulgação de diversos casos de acidentes envolvendo cães de raças consideradas agressivas, a preocupação dos proprietários cresceu muito e este texto pretende auxiliar na compreensão do porque os acidentes acontecem.

Em primeiro lugar é importante frisar que apesar de acidentes causados por cães de grande porte e de raças consideradas agressivas virarem notícia, não é deles o maior índice de ataques a pessoas... os pequenos e peludos também mordem... e muito. No entanto, a gravidade destes ataques é proporcional ao tamanho dos cães e por isso podem passar despercebidos. O ponto central é ter consciência de que qualquer cão pode tornar-se agressivo. As razões para tal são diversas, desde o temperamento do cão até condições ambientais.

Tipos de agressividade

Nem todo cão reage de forma agressiva aos mesmos estímulos. A reação agressiva de um cão vai variar de acordo com a sua personalidade, por isso mesmo é importante que o proprietário tenha a honestidade de avaliar a personalidade do seu cão a fim de evitar possíveis acidentes e, principalmente, agir de forma a corrigir algum traço desviante.

Agressivamente por dominância

Normalmente entram nesta categoria aqueles cães de personalidade mais forte, e de raças consideradas mais independentes. Entram também os pequenos peludos que não são tratados como cães por seus donos e acabam desenvolvendo uma personalidade muito dominante. As chances de ataque aumentam quando, por exemplo, o cão é contrariado pelo proprietário.

Cães dominantes podem reagir agressivamente, também, quando pressentem uma disputa ou quando sentem sua posição hierárquica ameaçada.

Agressividade Pela Posse

A agressividade pela posse é praticamente uma variante da agressividade por dominância, mas apresenta-se de uma forma mais específica. Neste caso o cão sente que precisa defender seus bens precioso, que podem ser alimento, brinquedo, um osso ou até mesmo a sua “cadela”, de quem quer que seja. (outros cães machos, humanos machos, etc.)

Agressividade pela Defesa do Território

A proteção do território é um aspecto instintivo dos cães. Por isso mesmo é que são usados pelos humanos para a função de guarda. O problema, neste caso, é quando a agressividade pela defesa de território ultrapassa as cercas ou muros que delimitam o território real do cão. Neste caso, muito comum a cães de guarda e proteção, a importância de um bom adestramento é fundamental. Cães de guarda precisam ser, antes de tudo, equilibrados e confiar plenamente em seus proprietários, que, por sua vez, não devem estimular comportamentos agressivos não controlados de seus cães.

Agressividade Para Proteção

A agressividade para a proteção do grupo ou da matilha do cão é um dos principais fatores de acidentes, especialmente porque nestes casos não há o controle do cão pelo proprietário. O cão age por si mesmo e obviamente não tem o discernimento para saber quando parar.

Agressividade Por Medo

A melhor defesa é o ataque. Esta é a filosofia embutida nas reações de um cão quando está com medo. Normalmente ocorre quando o cão é (ou se sente) acuado e teme ser machucado (cuidado em não apertar o nó quando masturbá-lo). Nestes casos o cão reage por antecipação, ou seja, nada aconteceu “ainda”. Esta situação é muito comum em consultórios veterinários e durante sessões domésticas de limpeza de ouvidos, dentes e até mesmo quando o proprietário precisa dar um comprimido ao cão.

Agressividade Redirecionada

O caso mais típico deste tipo de agressividade é quando cães da mesma casa brigam entre si sempre que outro cão passa próximo ao seu portão. Isso acontece quando o cão, impedido de atacar o verdadeiro alvo de sua agressividade, ataca outro indivíduo mais próximo a ele.

Agressividade Predatória

É o caso de um cão que persegue um alguém quando esta pessoa passa por ele correndo. É possível, inclusive, que quando a pessoa pare de correr, ele pare também, sem machucá-la. Nesta situação o cão age por puro instinto de caca não com a intenção de intimidar ou machucar.

O que pode levar um cão a se mostrar agressivo?

As razões são muitas, mas basicamente há 3 fatores principais:

·         Cães maltratados, que passam a encarar os seres humanos, de maneira geral, como fonte de mal-estar e maus tratos. Nestes casos, para o cão, a melhor defesa é o ataque.

·         Cães treinados para terem comportamento agressivo e que são entregues a pessoas com pouca ou nenhuma responsabilidade e/ou experiência. Nestes casos, é comum que o cão passe a ser o líder da matilha quando percebe a falta de autoridade do proprietário.

·         Distúrbios de comportamento devido a razões genéticas. Aqui encontramos os casos de acidentes envolvendo cães de raças sem a menor tradição de agressividade e que se tornaram muito populares, como os cães de caca (Cocker, labrador, por exemplo) e cães de companhia (poodle, york). Podemos citar como fonte deste problema a atuação de pessoas que acasalam e vendem cães sem critérios.

Se estes três são os principais MOTIVOS para a existência de cães agressivos, existem também situações do dia-a-dia que podem levar um cão a atacar uma pessoa.  

 

Agressividade Canina –

Segunda Parte


Agressividade X Dominância.

É muito importante fazermos uma diferenciação clara entre dominância e agressividade.

Dominância

O cão dominante é aquele que sempre tem suas vontades atendidas. Essa dominância, porém, não necessariamente é feita de forma agressiva. Muitos cães dominantes são extremamente dóceis e simpáticos. Daí a razão de raramente conseguirmos dizer NÃO a eles. E toda a questão de dominância se resume nisso: quem é que decide. E quando a vontade que prevalece é a do cão, e não a do dono, temos uma situação clara de cão dominante, e que nada tem de agressivo.

Quando falamos em dominância estamos falando do temperamento do cão. Um cão que sabe ser um bom líder.

Agressividade

Agressividade é o tipo de reação que um cão apresenta. É a forma com que este cão responde aos estímulos externos: age de forma violenta; impulsiva; exagerada. A Agressividade, como escrevi no artigo anterior, pode ser detonada por várias razões, como medo, possessividade, e (também) dominância.

O Papel do Proprietário

A base para uma história com final feliz é saber escolher bem a raça do cão que você quer ter. Conhecer o temperamento de cada raça é fundamental para uma escolha bem feita. Tudo é importante: se é uma raça agitada ou não (cães muito ativos ficam tremendamente ansiosos ao lados de donos muito sedentários); se é uma raça fácil de se educar ou não; se costuma ser agressivo ou não, etc. O ideal é que você escolha a raça mais adequada ao seu temperamento e ao seu estilo de vida. Se você é marinheiro de primeira viagem deve evitar as raças mais teimosas como o beagle; cocker; teckel; pit bull, rottweiller, etc. Essas raças requerem donos experientes, que saibam se impor de forma incontestável.

Chegamos, então, à escolha do filhote. Ao chegar no canil, peca para que sejam separados os filhotes do sexo que você quer. Observe muito bem os filhotes, e repare em como eles se comportam.

·         Os filhotes mais audaciosos tendem a ser mais dominantes, exigindo uma postura muito clara de seu dono como líder. Devem ser evitados pelos principiantes. Podem tornar-se agressivos, se não forem devidamente treinados.

·         Os filhotes muito medrosos também devem ser evitados. Muitos deles acabam tornando-se agressivos. Como eles não confiam em seu líder para garantir a segurança da matilha, tomam decisões sem serem aptos para tal. Não sabem avaliar uma situação de perigo real, e tornam-se até mais perigosos que os cães dominantes, pois estes dominam a situação, o cão medroso não. Ele ataca às cegas.

·         O ideal é que se escolha os filhotes que tenham um comportamento intermediário entre estes 2 tipos. Você pode até levar um “dominante-bonzinho”, mas dificilmente levará uma fera.

Depois de escolhido o filhote, vamos ver como e onde este filhote vai morar. É importante que este filhote possa ter espaço (e brinquedos) para brincar e se distrair; que tenha água e comida de acordo com seu tamanho e necessidade; que seja bastante socializado com outros cães e humanos; e o mais importante: que ele receba muito carinho e sinta-se acolhido em sua casa.

Partimos, agora, para a questão da educação de seu cão. É muito importante que seu cão te obedeça; te respeite como líder; e saiba obedecer aos comandos básicos.

O mais importante, no entanto, é prestar muita atenção para não recompensar comportamentos agressivos do cão. São muitas as situações corriqueiras em que recompensamos comportamentos agressivos, sem nos darmos conta disso. Veja só algumas delas:

·         O dono vai colocar a coleira no cão, e este (assustado) ameaça morder, e o dono recua o braço, fazendo com que a ação pare. Este dono acabou de ensinar ao Lulu, que a situação que o assustava acabou quando ele ameaçou morder o dono. Adivinha o que ele irá fazer quando se sentir assustado de novo?

·         Da mesma forma, quando for começar********************************************

·         O proprietário sai para passear com seu cão na rua. Toda as vezes em que o cão reage agressivamente à aproximação de outras pessoas ou animais, o dono afaga o cão dizendo “... amigo...” ou “... calma...”, etc. Este cão entenderá que está sendo recompensado por agir agressivamente. Terá certeza de que é este o comportamento que seu dono quer dele, afinal o recompensa sempre que age assim.

·         Você está com um alimento qualquer nas mãos (até mesmo biscoito canino), e seu cão pula em você, arrancando o que você tinha na mão. Mais uma vez vemos um cão que foi recompensado por um ato violento: ele ficou com o alimento. Mesmo que depois você tire o alimento da boca dele, a imagem que fica, pra ele, é a de que ele pode roubar sua comida, arrancando-a de você.

Enfim, toda vez que o cão é recompensado por ter uma atitude agressiva, contribui para um comportamento nocivo. E a máxima “é melhor prevenir do que remediar” aqui também cabe. Todo comportamento agressivo do cão deve ser contido com veemência.

Se seu cão rosna para outro na rua, dê um tranco na guia dele e diga NÃO! Continue dando trancos, até que ele se acalme. Então afague-o.

Você deve ficar bastante atento ao comportamento de seu cão, durante o seu crescimento. Se ele der sinais de agressividade antes dos 6 meses de idade, você deve procurar um especialista em comportamento. Só ele poderá avaliar o real grau de agressividade que seu cão apresenta, ou não. Uma atitude agressiva na idade entre 6 meses e 1 ano é bem mais aceitável, desde que dentro de limites claros: se o cão fere alguém intencionalmente, é hora de procurar o especialista.

A grande dificuldade da resolução deste problema, é que na maioria das vezes o proprietário do cão demora muito a reconhecer o quão agressivo seu cão é. E quando percebe, já é tarde demais. Estes proprietários acham tal comportamento normal, principalmente se esses cães forem cães de guarda. Mas lembre-se: o fato dele se rum cão de guarda, não lhe dá autorização para ser violento. O cão de guarda deve ser violento com quem nos ataca. Mas com os donos, ele deve ser leal e obediente!  

 

 

Adestramento Virtual - Senta


Adestrar um cão requer, mais do que tudo, paciência e constância. Quando você ensina qualquer comando a seu cão, deve repetir a lição sempre que possível, pois quanto mais ele treinar, mais fácil será para ele entender, e memorizar, o que você deseja que ele faca.

Sempre tenha bolachas ou outros petiscos à mão. Eles serão muito úteis para você recompensar seu cão sempre que ele fizer o exercício corretamente.

Não use pedaços muito grandes. Quebre a bolacha em vários pedaços pequenos para evitar que seu cão perca o interesse, por já estar satisfeito.

Um dos primeiros comandos que ensinamos aos cães é “sentar”.

·         Fique de frente para seu cachorro.

·         Chame a atenção de seu cão para sua mão. Deixe claro para ele que você tem um petisco na mão.

·         Ponha sua mão uns 15 cm acima do focinho dele, e avance sua mão (lentamente) em direção ao corpo dele, de forma que ele precise levantar o focinho para vê-la. Chegará um momento em que ele irá sentar, pois a maioria dos cães não gosta de andar para trás.

·         Nesse momento dê o petisco para ele, elogie-o, e repita este exercício mais algumas vezes. Com o tempo ele sentará sempre que você puser sua mão à altura do focinho dele.

·         Se seu cão ao invés de sentar começar a andar para trás, faca o exercício perto de uma parede, pois então ele não terá como andar para trás.

·         Quando você perceber que ele já sabe o que deve fazer para ganhar o petisco, faca mesmo o exercício falando “SENTA”.

·         O ideal é que ele obedeça tanto o comando manual quanto o oral separadamente. Porém ao início você irá treiná-lo com os dois comandos juntos. Tente sincronizar a palavra ao gesto da mão. Com o tempo use um ou outro comando. sentar.jpg (24431 bytes)

 

Dicas:

·         Não trabalhe muito tempo seguido com seu cão. Se ele der sinal de cansaço, pare o exercício. Recomece mais tarde, ou no dia seguinte.

·         Não trabalhe com seu cão em horários muito quentes ou logo após as refeições.

·         Procure iniciar o treinamento em locais tranquilos, em que você consiga controlar seu cão facilmente e, principalmente, prender sua atenção. Por isso, não inicie as aulas em praças ou na rua porque com certeza a atenção dele estará voltada para o movimento em seu redor.

·         Não treine seu cão quando VOCÊ estiver de mau humor ou cansado.

·         Fique atento se ele realmente encosta no chão antes de dar o petisco, pois muitas vezes o cão gosta de “enganar” e só finge, ou só ameaça, sentar.

·         Nunca dê um comando várias vezes seguidas até que ele obedeça, por exemplo: Senta, Rex, senta Rex, senta Rex.... Se, quando você estiver treinando-o, ele não obedecer ao comando dado, ignore-o por alguns segundos, e, se possível, saia de perto dele. Depois volte a pedir o comando e espere que ele sente.

 

Adestramento Virtual - Deita


Ensinar um cão a deitar não é difícil, mas como com qualquer outro comando, requer repetição e paciência. Não tenha pressa! Se você perceber que seu cão está cansado, e ainda não entendeu o exercício, pare e recomece em outra hora.

Muitos cães não sabem deitar corretamente, alguns deles costumam deitar com as patas traseiras para trás, encostando completamente a barriga no chão. Por isso a primeira parte deste comando é ensiná-lo a deitar, só depois é que você irá treiná-lo a deitar com o comando. Neste artigo vou mostrar 2 formas de ensinar um cão a deitar. As duas formas funcionam, só depende de qual a mais fácil para você e seu cão. Você pode, inclusive misturar as duas.

A primeira exige que o cão já saiba sentar e nem sempre funciona com cães pequenos.

·         Fique na frente de seu cão, e dê o comando SENTA.

·         Quando ele já estiver sentado, pegue um petisco, passe sua mão bem perto do focinho do seu cão para que ele saiba que você tem um petisco em mãos, e vá baixando sua mão (vagarosamente) até que fique na altura do peito do cachorro. Se seu cão seguir sua mão com o focinho dê o petisco. Senão, tente de novo.

·         Faca o mesmo movimento várias vezes, mas sempre pondo o petisco um pouco mais próximo do chão.

·         Se seu cão tentar se levantar diga não (calmamente) e faca de novo o mesmo exercício.

·         Como ele não pode se levantar para pegar o petisco, ele naturalmente vai tentar por as patas dianteiras para frente (uma de cada vez). Recompense-o dando o petisco, e elogiando-o.

·         Vá fazendo este exercício, e recompense seu cão a cada progresso dele. Chegará um momento em que ele terá que por a barriga no chão para pegar o petisco. Daí faca a maior festa com ele, e dê alguns petiscos extras.

·         A partir daí, ponha ele sentado, e encoste sua mão no chão (sempre com o petisco), mas agora só dê o petisco quando ele encostar a barriga no chão.

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Se você achar que ele não entendeu o que você quer, comece o exercício todo de novo, só que agora você deve demorar menos até chegar com o petisco no chão, pois seu cão já conhece o exercício.

A outra forma de ensinar parece mais uma brincadeira, não exige que o cão saiba sentar, mas você precisa estar disposto a se sujar um pouco, pois você precisa sentar no chão.

·         Pegue um petisco, e comece a brincar com seu cão, fazendo com que ele persiga sua mão. Não mova sua mão muito rapidamente, pois ele pode ficar muito agitado. Sempre que ele encostar o focinho na sua mão, dê o petisco.

·         Sente-se no chão, e dobre uma das pernas formando um “túnel”, e comece a segurar o petisco no chão, de preferência perto desta perna. E dê o petisco quando ele encostar o focinho na sua mão.

·         Passe seu braço por debaixo do “túnel” (pelo lado de fora da perna), colocando sua mão bem debaixo de sua perna, e espere que seu cão venha pegar o petisco. Se ele ficar com medo, ponha o petisco mais perto dele, e vá aos poucos fazendo ele chegar mais perto do túnel.

·         Comece então a fazer com que ele precise passar a cabeça por baixo do túnel para chegar no petisco; depois que ele precise passar a cabeça e o pescoço; e então a cabeça, o pescoço e as patas dianteiras. Sempre encostando o petisco no chão.

·         Faca este exercício várias vezes, e cada vez deixe o túnel menor, baixando um pouco a perna, até que ele precise deitar para chegar ao petisco. Então elogie-o bastante, faca carinho, e dê alguns petiscos extras. Faca tudo para que ele perceba que chegou onde você queria.

·         Faca isto algumas vezes, mas só dê o petisco quando ele estiver na posição do deita.

·         Depois disso, tente somente encostar o petisco no chão, sem mais usar o túnel, para ver se ele deita. Mas espere um tempinho, pois nesse momento ele poderá demorar um pouco para “ter a ideia” de deitar. Se ele não entender, faca de novo a brincadeira do túnel.

Quando seu já estiver bem claro para seu cão como deitar, e que quando você encosta sua mão no chão significa que ele deve deitar, você já pode passar para o outro passo do treinamento:

Comece a dar o comando manual (encostar sua mão no chão) junto com o comando oral DEITA. O comando oral deve ser dito de forma clara, isto é: diga a palavra lentamente, e de forma articulada (DEI – TA) para que seu cão possa diferenciar os sons dos comandos.

Com o tempo vá treinando seu cão a deitar quando você aponta o chão, pois desta forma é mais confortável para você. Mas lembre-se, isso só deve ser feito depois dele conhecer bem o comando (tanto o oral como o manual). Comece dando o comando encostando seu dedo indicador no chão, junto com o comando oral. Aos poucos vá dando o comando com seu dedo mais longe do chão.

 Dicas:

·         Não trabalhe muito tempo seguido com seu cão. Se ele der sinal de cansaço, pare o exercício. Recomece mais tarde, ou no dia seguinte.

·         Não trabalhe com seu cão em horários muito quentes ou logo após as refeições.

·         Procure iniciar o treinamento em locais tranquilos, em que você consiga controlar seu cão facilmente e, principalmente, prender sua atenção. Por isso, não inicie as aulas em praças ou na rua porque com certeza a atenção dele estará voltada para o movimento em seu redor.

·         Não treine seu cão quando VOCÊ estiver de mau humor ou cansado.

·         Fique atento se ele realmente encosta no chão antes de dar o petisco, pois muitas vezes o cão gosta de “enganar” e só finge, ou só ameaça, sentar.

·         Nunca dê um comando várias vezes seguidas até que ele obedeça, por exemplo: Deita, Rex, deita Rex, deita Rex.... Se, quando você estiver treinando-o, ele não obedecer ao comando dado, ignore-o por alguns segundos, e, se possível, saia de perto dele. Depois volte a pedir o comando e espere que ele deite.

Adestramento Virtual –

 VEM ou AQUI


De todos os comandos que ensinamos a um cão, este é o que se deve dar mais atenção. Ao ensinar este comando ao seu cão você pode estar garantindo a segurança dele, assim como de terceiros, principalmente se você gosta de deixar seu cão solto em locais públicos.

Se você já usa a palavra “vem” para chamar o seu cão, e ele nem sempre te obedece, comece a ensiná-lo usando a palavra “aqui”, ou qualquer outra que você preferir.  O importante, é que seu cão aprenda esta nova palavra como um comando que deve ser obedecido imediatamente.

·         Pegue um petisco, mostre a seu cão, e diga VEM (ou AQUI).

·         Espere que ele encoste o focinho em sua mão, então dê o petisco  e faca muito carinho nele.

·         Faca este exercícios algumas vezes, até você perceber que ele entendeu bem o que você quer.  Então comece a dar o comando VEM (ou AQUI) batendo a palma da mão na sua perna, segurando o petisco entre seu polegar e a palma da mão, de forma que seu cão veja o petisco.  Sempre espere que ele encoste o focinho em sua mão antes de dar o petisco.

·         Se em algum momento do exercício seu cão não atender ao comando. Vire de costas para ele, e vá embora do recinto.  Espere 15 segundos e comece novamente. Deixe claro que se ele obedecer ele ganha petisco, sua atenção e muito carinho, e caso ele não te obedeça ele perderá sua atenção.

·         Com o tempo vá fazendo o exercício com a mão vazia, mas logo que ele encostar o focinho em sua mão dê o petisco.

·         Aumente a distância entre você e ele a cada exercício, aumentando o grau de dificuldade.  Elogie-o sempre.

·         Dê o comando quando for brincar com ele, quando for dar ração ou um brinquedo novo... enfim associe este comando sempre a uma coisa agradável.  Desta forma ele sempre atenderá  ao comando.

O que é mais importante neste comando é não cometer o erro mais comum entre os donos:

·          Se ele estiver fazendo algo errado, NUNCA dê o comando VEM para brigar com ele.  Ele não vai associar a briga ao que ele fez de errado.  No raciocínio de seu cão você deu o comando; ele obedeceu, e você brigou com ele.  Ou seja:  todo o trabalho foi pro espaço, pois da próxima vez que você chamá-lo ele terá medo de levar uma bronca e não virá. 

·         Se você precisar brigar com ele vá até onde ele está e então dê a bronca.  Desta forma você não compromete o comando.

·          Se, no entanto, você resolver dar o comando, faca carinho nele  assim que ele chegar.  Lembre-se você deu um comando e ele obedeceu!  Nada de broncas!

·         Você pode dar este comando mesmo que for para coisas desagradáveis, como tomar vacina ou algo no gênero,  desde que você espere um tempinho, de forma que ele não associe o comando à coisa ruim.  Lembre-se: cães não têm noção de tempo; 30 segundos depois a situação já é outra, não tem nenhuma conexão com o comando.

Dicas:

·         Não trabalhe muito tempo seguido com seu cão. Se ele der sinal de cansaço, pare o exercício. Recomece mais tarde, ou no dia seguinte.

·         Não trabalhe com seu cão em horários muito quentes ou logo após as refeições.

·         Procure iniciar o treinamento em locais tranquilos, em que você consiga controlar seu cão facilmente e, principalmente, prender sua atenção. Por isso, não inicie as aulas em praças ou na rua porque com certeza a atenção dele estará voltada para o movimento em seu redor.

·         Não treine seu cão quando VOCÊ estiver de mau humor ou cansado.

·         Fique atento se ele realmente encosta no chão antes de dar o petisco, pois muitas vezes o cão gosta de “enganar” e só finge, ou só ameaça, sentar.

·         Nunca dê um comando várias vezes seguidas até que ele obedeça, por exemplo: Vem, Rex, Vem  Rex, Vem Rex.... Se, quando você estiver treinando-o, ele não obedecer ao comando dado, ignore-o por alguns segundos, e, se possível, saia de perto dele.

Adestramento Virtual - Como ensinar o seu cão a andar na guia - JUNTO


Grandes ou pequenos os cães adoram nos arrastar pelas ruas quando saímos para passear. Esta é uma situação muito comum, e que chateia a maioria dos proprietários de cães. Isso acaba criando um círculo vicioso: quanto mais o cão puxa, menos o proprietário sai para passear com o cão; e quando o proprietário resolve sair com o cão novamente, este puxa mais ainda. O que é preciso nestes casos é ensinar ao cão a andar na guia sem puxar.

Primeiro é importante saber porquê o cão puxa a guia: para comandar o passeio. Se a hierarquia da matilha não está clara (ver artigo "quem é o chefe") o cão acredita ser o líder, portanto se sente no direito de mandar no passeio no que diz respeito ao caminho, à velocidade, onde parar e onde passar reto, etc. Para ensinar seu cão a andar na guia sem puxar, você precisa mostrar a ele que é você que comanda o passeio.

Outro ponto muito importante é a escolha dos acessórios: guias, coleiras, enforcadores, etc. Na primeira parte deste artigo vou fazer um apanhado geral desses acessórios mostrando quais as vantagens e desvantagens de cada um, e como usá-los.

Coleira: Existem as de couro, de tecido ou nylon, ajustáveis ou com furos. Aconselho que deixe seu cão com coleira 24 horas por dia. Isso por que se você precisar segurar seu cão, por qualquer motivo, será muito mais fácil segurá-lo pela coleira do que se você tiver que segurá-lo agarrando seu pêlo. Quando colocá-la deixe espaço apenas o suficiente para que sua mão passe entre ela e seu cão. Não a deixe frouxa, pois seu cão pode escapar dela no meio da rua.

Enforcador: Pessoalmente eu acho a coleira mais aconselhável, porém alguns donos de cães (de médio e grande porte) preferem-no por usarem a forca do próprio cão para segurá-lo. Se você quiser usá-lo tome cuidado para colocá-lo corretamente, do contrário você apenas irá machucar seu cão. Fique de frente para seu cão, e forme um P com o enforcador, e ponha-o deste jeito na cabeça do cão.

Enforcador com Garras: Acho desaconselhável, pois machuca o cão. Além do mais, se você vai ensiná-lo a andar junto não precisará deste tipo de enforcador, pois ele andará (ou não) junto independente das garras.

Peitoral: É muito comum donos de cães pequenos acharem que estes devem usá-los. Há, no entanto, muitos inconvenientes neste acessório. Alguns cães passam a andar de forma torta devido ao mal estar causado pelo peitoral. E ainda, cães de pêlo longo costumam ter seus pêlos emaranhados pelo peitoral, fazendo com que tais pêlos tenham que ser cortados em função dos nós.

Gentle Leader: Esta é a coleira ideal para cães muito fortes; cães cujos donos tenham dificuldades em segurá-los; e para cães com problemas de comportamento. Nesta coleira há uma tira de tecido que fica no focinho, exatamente onde a fêmea costuma morder quando quer dar broncas em seu filhote. Desta forma quando você dá uma leve puxada na guia, você pressiona o focinho do cão da mesma forma que a mãe dele fazia. Ou seja, você usa com ele uma linguagem que ele já conhece. Esta coleira é ideal para cães que tenham dificuldade para aceitar a liderança de seus donos. Alguns proprietários não gostam de sua aparência, pois parece uma focinheira, porém ela não é uma focinheira inclusive permitindo ao cão comer estando com ela. Na aquisição desta coleira você tem, também, uma apostila onde se informa corretamente como colocá-la no cão, mesmo assim vou ensinar aqui a forma certa de colocá-la: coloque primeiro a parte do focinho, tomando cuidado para que não fique apertada demais, nem larga o suficiente a ponto de seu cão conseguir tirá-la. Em seguida coloque-a no pescoço, de forma que a argolinha fique para baixo.

Guia: Não use guias muito curtas, nem guias com amortecedores, com tecido elástico, ou mesmo guias retráteis. Essas guias fazem com que o cão acostume-se a puxar. Use uma guia longa, e de tecido maleável de forma que se seu cão estiver ao seu lado ela fique solta, e não esticada.


Ponha a guia no seu cão, e saia para a rua com ele. Ele tomará uma direção, e começara a puxar. Tome a direção oposta à dele, e continue andando mesmo que você tenha que arrastá-lo. Ele irá tentar ficar na sua frente de novo, para ficar na posição do líder. Quando ele passar à sua frente vire na direção oposta (o mais rápido possível) de forma que ele leve um tranco. Ele rapidamente tentará te acompanhar tentando ficar na sua frente de novo. Mude de direção de novo. Faca isso várias vezes, sem esperar que ele estique demais a guia para tomar a direção oposta. A ideia é que ele realmente sinta um tranco.

Quando você perceber que ele não está prestando atenção em você, mude de direção de novo. Ele não demorará a perceber que se não prestar atenção ficará levando trancos. Vai chegar um momento em que quando você virar ele irá virar junto com você, nesta hora faca muita festa, e dê um petisco para ele. Ele perceberá que é este comportamento que você quer dele durante o passeio.

No adestramento tradicional ensina-se o cão a ficar à esquerda do dono (ou mesmo do adestrador), pois este adestramento prevê que a pessoa que comanda o cão deva ter seu braço direito livre para portar uma arma, por exemplo. No entanto não existe uma regra rígida a esse respeito. O importante aqui é que ele fique a seu lado, e nunca na frente. Escolha o lado que você quiser, mas não permita que ele mude de lado o tempo todo. O certo é que ele fique de um lado só sempre. IMPORTANTE: se você for usar enforcador, ande com seu cão do seu lado esquerdo, senão o enforcador irá machucar seu cão, ao invés de contê-lo.

Outras dicas que facilitam o aprendizado:

·         Tenha sempre em mãos vários petiscos e vá dando devagarzinho a seu cão sempre que ele estiver na posição certa. Com isso ele irá associar o fato de permanecer a seu lado com uma coisa gostosa.

·         É comum que, mesmo sabendo como devem se comportar, os cães tentem puxar seus donos para apressar o passeio. Quando isso acontecer pare imediatamente! Faca como se seu cão ao puxar a guia tivesse puxado um freio de mão. Só volte a andar quando a guia estiver frouxa novamente. Com isso você estará invertendo a expectativa dele: ou seja, ao puxar a guia em vez dele apressar o passeio ele vai parar o passeio.

·         Mantenha seu braço ao lado do corpo, e, se for o caso de seu cão te puxar, pressione o braço contra a barriga. Esta posição te permite exercer muito mais forca do que se seu braço estiver esticado para frente.

·         Nunca deixe uma criança no comando de uma guia, principalmente em caso de cães maiores. Cães não costumam obedecer às crianças por considerarem-nas filhotes da matilha, portanto hierarquicamente abaixo deles. E como são mais fortes que as crianças podem arrastá-las.

·         Fique alerta a coisas que podem chamar a atenção de seu cão na rua (como outros cães, gatos, passarinhos, etc) e antecipe-se ao movimento dele de sair correndo, segurando com mais firmeza na guia. Desta forma quando ele começar a correr já sentirá que será impedido.

 Adestramento Virtual - Não Pula


Quando adquirimos um filhote achamos graça quando ele pula em nossas pernas para nos pedir carinho. O problema é que o filhote cresce, e continua pulando. Quando o cão é de pequeno porte este problema muitas vezes não aborrece, mas quando falamos de um cão de médio ou grande porte a coisa pode até tornar-se perigosa.

Se quando ele era filhote conseguia a nossa atenção sempre que pulava, não há motivos para ele entender que o mesmo ato agora seja indesejável. E, se dava certo antes, dará certo sempre! E, o pior, brigar com ele só piora as coisas, pois de todo jeito ele consegue a nossa atenção.

Para acabar com este péssimo hábito devemos fazer um exercício bastante simples: Vá com seu cão a algum lugar em que você tenha bastante espaço para trabalhar. Prenda-o em uma árvore, poste, ou mesmo no portão de sua casa, com uma corda que tenha no mínimo uns 3 metros. Fique de frente para ele a uma distância que ele não possa te alcançar mesmo com a corda esticada. Então vá em direção ao cão fazendo bastante algazarra: abra os braços; bata palmas; chame-o pelo nome; enfim estimule-o a pular. Quando ele começar a tirar as patas dianteiras do chão, vire-se imediatamente pare de brincar e de falar, e ande na direção oposta à que ele está. Faca de conta que ele nem está lá. Espere uns 15 segundos, e volte a estimulá-lo até que ele tente pular, então você para a brincadeira.

Se você fizer este exercício várias vezes seguidas, chegará uma hora que ele comecará a pular de forma menos evidente, ou seja: ele só tirará as patas do chão bem pouco. Na verdade ele estará testando se é o pulo mesmo que está fazendo você se afastar. Afaste-se da mesma forma! O objetivo é que ele não pule nunca.

Quando você perceber que ele fica bastante tempo com as quatro patas no chão dê um petisco, elogie, e pare o exercício. É importante parar o exercício quando ele acerta, pois quando você voltar a trabalhar com ele, a lembrança será de que enquanto ele não pula você não se afasta.

Se você fizer este exercício todos os dias, seu cão logo parará de pular em você, e nas suas visitas.

Dicas:

·         É muito importante que você pare a brincadeira imediatamente ao pulo dele, pois só assim é que ele perceberá que o que está te afastando é o pulo dele. Se você demorar, ele não irá associar o pulo ao seu afastamento.

Cães que latem demais


 

Existem certo cães que, sem dúvida, abusam do direito de latir. Latem o tempo todo, ou a noite inteira, atrapalhando nossas vidas, irritando vizinhos, e, por que não confessar, muitas vezes diminuindo o prazer de termos um cão dentro de casa.

Não existe um único motivo que cause este problema. Na verdade são várias as causa, e, em muitos casos, nós mesmos estamos ensinado os nossos cães a latirem sem parar. Da mesma forma, não existe também um único tipo de latido. Como os cães só se comunicam latindo, muitas vezes temos que descobrir porque nosso cão late tanto, para podermos chagar a algum a solução.

Latido de Alarme:

Existem muitos cães de guarda que têm este comportamento. Raros são os pastores alemães e os schnauzers, por exemplo, que não La TAM sempre que alguém entra no território que guardam. Este é o comportamento normal destas raças. Eles latem para dar o alarme. O schnauzer do jornalista Paulo Henrique Amorim, por exemplo, ficou famoso por evitar que uma quadrilha, que assaltava o seu prédio, entrasse em seu apartamento, pois ele não parava de latir. Esta é a função dele!

Comunicação:

Muitas são as ocasiões, porém, em que nós mesmos ensinamos nossos cães a latir. Não são raros os relatos de cães que latem para pedir comida; para pedir para entrar em casa; para sair da casa; etc. É uma comunicação que se estabelece entre o cão e seu dono, onde eles se entendem muito bem. Esta comunicação em si não é ruim, muito pelo contrário quanto mais clara a comunicação entre o dono e o cão, melhor. O problema começa quando o dono culpa o cão pelo excesso de latidos, quando a verdade é que ele foi treinado, e estimulado a fazer isso. Toda vez em que você atende a um “pedido” que seu cão faz latindo, você reforça esta comunicação.

Latidos para conseguir atenção:

Outra situação comum: a do cão que late para conseguir a atenção de seu dono. Isto é muito mais comum do que se imagina. Este comportamento ocorre tanto em cães muito dominantes, como em cães muito carentes. Não é raro ouvir relatos de cães que começam a latir assim que seu dono atende ao telefone. O que ocorre é simples: tais cães não aguentam que seu donos não lhes dê atenção o tempo inteiro. Quando, porém eles desandam a latir sem parar, o dono para de falar ao telefone para mandar o cão parar de latir, e assim o cão consegue o que quer, que é chamar a atenção de seu dono.

O interessante é que este mesmo recurso regularmente é usado por cães muito carentes, que ficam sozinhos o dia inteiro. Eles começam a latir sem parar até que seu dono aparece na porta e manda-os parar. Não é difícil de entender que este cão aprendeu como ter a atenção de seu dono: é só começar a latir sem parar.

Soluções

Estes casos que descrevo acima estão longe de ser sem solução. A solução é bastante simples: é só “quebrar” a expectativa do cão. Isto significa aguentar seus latidos sem reclamar, e só dar atenção ao cão quando ele parar de latir. Com isso fazemos com que estes cães deixem de associar a nossa chegada aos seus latidos. O grande problema aqui é que raros são os donos que conseguem simplesmente deixar o cão latir. A Maioria não aguenta, e acaba confirmando a expectativa do cão. Com isso, dificilmente quebramos este círculo vicioso.

Vizinhos

Sei que muitas vezes nossos vizinhos não têm tanta paciência como nós, nem mesmo o sono tão pesado quanto o nosso. Não são raros os relatos de pessoas ameaçadas por vizinhos menos compreensivos, e, em muitas ocasiões, o próprio cão chega ser ameaçado, ou de fato machucado. Muitos são os proprietários que têm que resolver a questão de forma mais radical, pois muitas vezes a permanência do cão na casa depende disso. O que existe para resolver este problema?

Coleiras anti-latidos

São acionadas pelo som do latido do cão. As mais conhecidas são as que trabalham soltando um jato de citronela perto do focinho do cão, e a que dá um pequeno (é o que dizem) choque no cão. A idéia é que o cão associe o latir a sensações desagradáveis: o cheiro ruim e o choque. Há, no entanto, alguns problemas aqui: na maioria das vezes o cão volta a latir assim que tira a coleira; e ainda temos os casos de cães que se acostumam com o efeito da coleira, no caso da citronela. Portanto não é infalível, e muitas vezes pode ser cruel.

Operação das Cordas Vocais:

Muito usada na Inglaterra, esta operação corta as cordas vocais do cão, impedindo-o de latir, ou mesmo de emitir outros sons. É bastante efetiva, mas só aconselhada se você não tiver outra opção, pois não deixa de ser muito cruel, e polêmica. A maioria das associações de defesa dos animais se arrepia só de falar desta operação.

Treinamento:

Pode ser feito com rojões ou outras bombinhas. Mas se você optar por ele, não espere, depois, que seu cão lata quando um estranho entrar em casa. O trabalho consiste em fazer com que seu cão associe o latir a algo ruim. No caso usaremos rojões, pois a grande maioria dos cães morre de medo de fogos. Se você soltar rojões (ou outras bombinhas) sempre que ele começar a latir, ele pensará que é o latido dele que faz os rojões estourarem. Com isso ele ficará com medo de latir. O negócio aqui é ficar preparado: assim que ele começar você começa também. Quando ele parar de latir, os rojões também devem parar, como se realmente uma coisa fosse a consequência direta da outra. Seu cão irá tentar latir de novo, para ter certeza se é o latido, mesmo, que causa os tais estouros. E você deve estar a postos. Quanto mais rápido você for, melhor o resultado do treinamento.

Existem, sem dúvida, outros latidos que estão longe da nossa compreensão. Muitas vezes nossos cães latem para sons e barulhos que estão há milhas de distância, e que são absolutamente inaudíveis para nós humanos.

Outras vezes também, percebemos que existe uma comunicação entre os cães, da qual nós humanos estamos totalmente excluídos. Quem mora em casa sabe que certos cães latem sempre, porém há certos tipos de latidos que soam como se fossem um chamado, onde todos os cães da rua começam a latir em resposta. O que eles significam? Estamos muito longe de saber. Para nós humanos todos os latidos são iguais, mas para eles há uma grande diferença. É só prestar a atenção nas diferentes reações que eles têm a cada latido, para perceber.

Se você não gosta de latidos, procure adquirir cães de raças que La TAM menos. Converse sempre com vários proprietários da raça que você escolheu, e não só com quem está vendendo a ninhada. Muitas vezes alguns criadores sem escrúpulos dizem qualquer coisa só para te vender um filhote. Portanto, fique atento. Procure também, sempre que possível, não recompensar seu cão por latir. Pois neste caso o grande culpado pelos latidos será você, e não o cão.

 Cães e Jardins


Este é um conflito antigo!  Raros são os proprietários de cães que conseguem ter um bonito jardim, principalmente se este cão for um filhote.  As reclamações são sempre parecidas: plantas atropeladas; mastigadas; arrancadas da terra; buracos no jardim; etc.  Isso poder virar um verdadeiro inferno, ou não!   Há formas de lidar com esta situação, que podem minimizar bastante o tamanho do estrago.

Para podermos lidar bem com isso, é preciso entender o porque desses “ataques” ao jardim.   Aqui vão algumas explicações:

Plantas mastigadas

Durante os primeiros meses de vida o cão tem uma grande necessidade de roer. Uma das causas que mais contribuem para este fato é a dentição. Por volta dos 4 meses o filhote começa a trocar de dentes. Os dentes definitivos nascem, substituindo os deites de leite. Isso provoca uma coceira terrível em suas gengivas, fazendo com que tenham uma grande necessidade de roer tudo o que veem pela frente.

Quanto mais ossos e mordedores o filhote tiver, menor é a possibilidade dele ir morder sua planta. Esses brinquedos não vão acabar com o problema, mas um cão que tem um belo osso para roer, nem vai pensar em roer plantas.

Buracos no jardim

Cães gostam de ter tocas. É onde eles se sentem seguros, onde guardam objetos importantes como ossos, bolinhas, etc. É muito difícil acabar com este hábito. Quanto mais buracos você tampa, mais buracos o filhote cava. Muitas vezes tapamos um buraco que estava escondido, ele cava outro buraco no meio da sua grama. Nesse caso mais vale um mau acordo do que uma boa briga. Se ele cavar um buraco que esteja meio escondido, deixe o buraco lá! Não mexa nele. Com certeza seu filhote irá parar de cavar outros buracos.

Quanto aos buracos indesejáveis, devem ser tampados com uma terra regada com uma mistura de água com um pouquinho das fezes do filhote. Ou mesmo “enterrar” as fezes dele lá. Dificilmente ele irá cavar lá novamente.

Jardins, canteiros ou vasos destruídos.

Há vários motivos que levam o cão a remexer um jardim novo. Há muitos cheiros na terra, que estimulam sua curiosidade. E ele cava para ver o que tem na terra. Outra coisa importante: se o cão vê alguém remexendo a terra, não há porque dele imaginar que ele não possa remexe-la também.

A melhor atitude a tomar nestes casos é deixar o cão longe do jardim por uma semana. Até lá, os cheiros na terra diminuem, e o cão não terá tanta necessidade de remexer na terra.

Outra dica que sempre funciona é usar a mistura de água e fezes do cão. Ela pode ser usada nos locais que vocês quer que seu cão evite.

Bromélias Atacadas

As bromélias acumulam água em seu interior, e funcionam como uma moringa, mantendo esta água sempre fresca. Os cães simplesmente não resistem a elas. Esta briga não tem fim! É melhor desistir das bromélias!

Dicas importantes

·         Se você tiver mais de um filhote, use um pouco das fezes de cada filhote para fazer a mistura com água. Não é necessário uma grande quantidade das fezes. Um pouco já é suficiente.

·         Repelentes externos (como, por exemplo, o da marca Four Paws) também funcionam muito bem para afastar os cães de alguns canteiros e vasos. É só borrifar o spray nas bordas do vaso, ou em volta do canteiro.

É fundamental que seu filhote tenha onde brincar.  Esta é a fase em que ele vai aprender, brincando, as habilidades necessárias para sua vida adulta.  Durante alguns meses talvez você tenha que sacrificar um pouco o jardim, em nome do bom desenvolvimento do cão. 

Na medida em que esse filhote for crescendo e amadurecendo, ele irá perder o interesse no jardim.  Isso, no entanto, não é uma regra:  é comum cães adultos gostarem de brincar no jardim. No entanto, se o cão (seja ele adulto ou filhote) estiver destruindo completamente o jardim, e nada sobrevive a ele; é porque alguma coisa não vai bem: ou o cão não está tendo oportunidade de se distrair, e destruir o jardim é sua única brincadeira; ou podemos ter um problema de comportamento.  Portanto, convém ficar de olhos bem abertos.

 

 Cães de guarda


Para a grande maioria das pessoas, os cães são animais capazes de defender seu território, ou de defender seus donos por definição.  Mas será mesmo que isso é totalmente verdadeiro?

Como este, existem ainda muitos outros mitos envolvendo a atividade de guarda.  A maioria deles é baseada em afirmações falsas; muitas vezes não passam de suposições, ou até mesmo de superstições, pouco tendo de conhecimento de comportamento canino e de bom senso.   

Vamos analisar algumas destas afirmações:

Qualquer cão pode ser ensinado a fazer guarda.

Isso está longe de ser verdade. É verdade que qualquer SRD é capaz de guardar uma casa. O problema acontece com os cães de raça. Todas as raças são desenvolvidas a partir da seleção genética de cães com determinadas características, consideradas mais desejáveis para determinada atividade. Então achamos cães de caca com um olfato muito mais apurado do que nos cães de companhia, por exemplo. Os cães de companhia, por sua vez, são mais delicados, menos desajeitados, que os de caca.  E assim por diante. Com isso, desenvolveu-se cães  com características instintivas diferentes. Portanto, para termos um cão de guarda precisamos escolher cães com características próprias para a guarda. 

É possível ensinar um cão a fazer guarda?

Não. O que se pode fazer é aperfeiçoar a atividade dos cães de raça própria para guarda. Não é possível ensinar um labrador, por exemplo, a guardar uma casa.  Ele pode até aprender a “copiar” o cachorro do vizinho, e latir quando algum estranho passa na rua, mas jamais saberá o que fazer se tal estranho invadir a sua casa.  Ele não tem o instinto próprio para isso.  Não o foi feito para isso!  Ele foi feito para ajudar o homem em suas caçadas, trazendo a presa abatida.

Meu pastor alemão tem 5 meses e não faz guarda. Isso é Normal?

É absolutamente  normal, e esperado. Um cão de 5 meses é um filhote, e está longe da idade de começar a demonstrar sinais de agressividade.

O cão de guarda só começará a desenvolver sua agressividade, e sentido de territorialidade, quando estiver se tornando adulto. Nos cães de porte grande isso começa a acontecerá somente depois que o cão fizer 2 anos. Nesta época há uma grande mudança no temperamento do cão, fazendo com que ele fique mais bravo. É nesta época, também, que o proprietário, mais do que nunca, precisa reforçar sua liderança sobre o cão.

É importante que o cão de guarda seja agressivo?

Não! O cão de guarda deve ser agressivo somente ao atacar um intruso, ou agressor. Porém no seu dia-a-dia é desejável que ele seja o mais calmo e estável possível. Desta forma teremos uma casa devidamente guardada, sem, no entanto, que precisemos colocar qualquer pessoa em risco.

Se você considerar que a capacidade que um cão tem de atacar um estranho for semelhante à posse de uma arma de fogo, quem você acharia que seria o melhor portador deste revólver: uma pessoa super agressiva, que a qualquer provocação reage de forma exagerada; ou uma pessoa sensata e de temperamento estável???  Não é difícil responder: é evidente que a pessoa sensata e de temperamento estável é a melhor opção.  Com os cães a coisa funciona do mesmo jeito:  um cão muito agressivo jamais será capaz de avaliar se uma situação é de fato perigosa ou não, pois para ele qualquer situação desencadeia uma atitude agressiva.  No entanto se tivermos um cão calmo, obediente e de bom temperamento, teremos uma guarda muito mais efetiva, diminuindo muito o risco de acidentes desagradáveis.

Latir, ou não latir? Eis a questão! É verdade que cão que ladra não morde?

Não existe nenhum teste aprovando qual é o melhor cão de guarda: aquele que late, ou aquele que não late.  Com certeza, porém, a frase popular que “cão que ladra não morde” não passa de lenda. Um cão pode atacar alguém independente de latir ou não.

Não existe uma receita do sucesso entre latir ou não latir, o que acontece é a característica própria de cada raça, e a preferência, dentro deste conceito, de cada um.  Se o proprietário acredita que é melhor um cão que lata muito, pois desestimula os ladrões que estejam na vizinhança, o melhor é optar por um pastor alemão, ou um dobermann, por exemplo.  Já existem outros proprietário que acreditam que bom é o cão que não late, e pega o ladrão “no pulo”.  Para tal proprietário o rottweiller, ou um akita podem ser uma opções melhores. 

Aqui vai do gosto de cada um.

Quais as características principais para um cão de guarda ser o mais eficiente possível?

O bom cão de guarda deve ser obediente, calmo, seguro, sociável e valente.  Tais características só contribuirão para que ele tenha um bom discernimento quanto ao real perigo, ou não de uma situação. 

Um cão que ataca às cegas é um cão destemperado, e não um cão de guarda. Como o nome já diz, ele deve “guardar”, isto é zelar, cuidar, muito bem de seu território, dos membros de sua matilha, e outros membros agregados.  Um cão que ataca qualquer um está simplesmente atacando, nada mais.  Isto não é fazer guarda.

Alimentar o cão só com carne crua irá fazer com que ele mais agressivo?

Mais uma daquelas lendas bastante populares, mas que ninguém sabe onde nasceu.  Não há qualquer base científica para tal afirmação.

Meu cão dorme à noite, isso não atrapalha a função de guardar a casa?

Sem dúvida, alguns cães têm sono bastante profundo, o que pode atrapalhar bastante a guarda.  É possível, no entanto resolver este problema: o importante é alimentar o cão em hora bastante distante daquela em que se quer o cão em atividade.  Portanto se você quer que seu cão fique mais esperto à noite, alimente-o na hora do almoço.  Com isso ele poderá tirar aquela  gostosa soneca após comer, sem atrapalhar sua “hora de trabalho”. 

É necessário que um cão de guarda seja adestrado para fazer ataque e defesa?

Cães de empresas de segurança, ou da Polícia, ou ainda do Exército, têm que passar por tal adestramento. Porém quando tratamos de cães domésticos tal adestramento é perfeitamente dispensável. Várias são as razões para evitarmos tal adestramento, algumas delas eu descrevo abaixo. 

·         Raros são os profissionais realmente aptos para fazer tal adestramento. Muitos dizem que fizeram cursos na polícia, mas na maioria são  curiosos, que fazem qualquer coisa para ganhar dinheiro.

·         Os métodos usados nesse tipo de adestramento são baseados no estímulo negativo, onde os cães aprendem pelo medo e pela violência.

·         Raramente os donos participam destes treinamentos, e muitas vezes não sabem como lidar com tal cão, passando muitas vezes a temer o próprio  cão.

·         O cão de guarda nasce com esse instinto próprio.  Assim que ele tiver maturidade, começara a guardar a casa, sem que ninguém tenha que ensiná-lo.

Se, no entanto você acredita que de fato necessita de um cão com tal treinamento o melhor é comprar um cão adulto já adestrado pela escola do Exército, ou da Polícia.  Ou levar o seu cão à escolinha de um destas instituições, para fazer um treinamento sério.

Como treinar meu cão a não comer comida da mão de outra pessoa? Isso é importante?

Este treinamento é feito da seguinte forma:  pega-se um bolinho de carne, que tenha sido manipulado por alguém desconhecido do cão, e liga-se nele 2 eletrodos, conectados a um aparelho próprio para este tipo de treinamento. Quando o cão encosta o focinho nesta carne, leva um pequeno choque, obrigando-o a soltá-la. Depois coloca-se perto do cão um bolinho de carne manipulada pelo dono, e esta carne pode ser comida pelo cão, pois não lhe causa desconforto algum. A idéia não é machucar o cão, e sim fazer com que ele associe a carne com o cheiro desconhecido com um desconforto.

Raramente, porém, este treinamento é bem sucedido.  Isso se dá não pela inabilidade do treinador, e sim por estarmos tentando treinar um cão a fazer o oposto ao que seu instinto manda: alimentar-se. Não são raros os relatos de cães que tentam burlar o treinamento: cães que percebem quando há, ou não, os tais fios, comendo a carne com o cheiro estranho sempre não veem os fios; outros ainda que aceitam o choque, e vão puxando a carne devagarzinho, até que ela se solte dos fios, e eles possam comê-la.

Meu filhote tem 2 meses e morde tudo o que vê pela frente.Isso é sinal de agressividade?

Isso não é agressividade.  Filhotes mordem tudo mesmo.

Como educar bem um cão de guarda?

Não exija de um filhote que ele tenha um comportamento de um cão adulto. Deixe que ele possa viver sua infância e adolescência normalmente.  Deixe que ele brinque e se desenvolva à vontade. São essas brincadeiras que irão prepará-lo para a vida adulta. Tome cuidado para não estimular a agressividade nele, com o tempo ele irá demonstrar suas habilidades como cão de guarda, sem que você precise estimulá-lo a isso.

Procure, também, não confundir agressividade com valentia. Muitas vezes um filhote muito agressivo esconde um cão medroso, que se bem trabalhado pode ser um bom guarda quando ficar adulto.

Trabalhe muito bem a obediência deste cão. Quanto mais obediente ele for, melhor guarda ele será. Cuide para que ele seja devidamente socializado, principalmente com crianças. Seja um líder presente. Faca com que seu cão confie em você e na sua capacidade de avaliar as situações, do contrário quem tomará as decisões de quando atacar, ou não, será ele.

 

Dicas de ouro para ter um cão educado


Costumo receber muitos e-mails de proprietários de cães ainda filhotes preocupados em fazer o máximo para que seus cães tenham um bom temperamento quando adultos. Sempre há a dúvida de qual o fator será mais importante para determinar esse futuro: se o temperamento original do filhote; ou se será o jeito que este será educado.

Os 2 aspectos são muito importantes. Não há dúvidas que cães com temperamentos mais afáveis são educados com muito mais facilidade do que os mais teimosos. No entanto, um filhote teimoso pode perfeitamente tornar-se um adulto educado e calmo, se seu proprietário souber lidar com ele. Não adianta achar que o filhote “virá pronto”, educado. Ele será um adulto educado se seu dono se dispuser a conhecer bem o mundo canino, e agir segundo as suas regras.

O problema é que muitas vezes “humanizamos” o cão atribuindo a ele sentimentos e “pensamentos” típicos dos humanos, e não dos caninos. E aí se dá a confusão! Cães e crianças são diferentes. Com as crianças nós temos muitos anos para educá-las, e podemos explicar racionalmente porque determinada atitude é desagradável, e outra é muito bem-vinda; enquanto que para os cães este período se resume ao tempo que o cão leva para tornar-se um adulto. Se falarmos de cães de raça grandes, este tempo pode chegar até a 3 anos. Se falarmos, no entanto, de raças pequenas ou minis, este tempo se restringe a 1 ano. Ao tornar-se adulto, o cão já não estará apto para ter seu temperamento moldado devidamente.

A grande maioria dos proprietários, porém, tem pena do filhote, e acaba por deixar com que ele faca o que quer, e ainda assim esperam que ele se torne educado. Ora, se ele faz o que quer, é porque quem manda é ele; e se quem manda e ele, as regras também são dele. E nas regras do filhote todos os móveis e pertences da casa estão aí para serem mordidos, e porque não??? Da mesma forma, se ele for um macho, tem, sendo o macho alfa (líder), a prerrogativa de demarcar o território da matilha, que em linguagem humana quer dizer que ele se acha no direito de fazer xixi por todo o perímetro da casa para que seu cheiro fique lá.

Em outras palavras, muitas vezes nós proprietários somos os principais culpados pelo mau comportamento de nossos cães. Na maioria das vezes, essa culpa se dá muito mais pelo desconhecimento da questão, do que simplesmente negligência. Ninguém quer um cão mal educado, muito pelo contrário. Mas nem todos estão de fato abertos a mudar seu jeito de lidar com o cão para que ele fique educado. Não são raros os clientes que me contratam para adestrar seu cão, acreditando piamente que só o cão deve modificar seu comportamento. Como se o cão tivesse que se ajustar ao jeito do dono, independente desse jeito ter ou não nexo no mundo canino.

Cães têm suas necessidades próprias, independente do dono querer, ou não. Os caninos são animais que vivem em grupo, com regras muito claras. Não há melhor manifestação de amor e dedicação a eles, do que conhecer suas necessidades e códigos. Não adianta pensar que cão se adaptará a qualquer coisa, porque isso não é verdade. Para ser um adulto com um bom temperamento o filhote tem que sentir que seu dono é um bom líder. Não adianta mimá-lo! Mimá-lo só fará dele um adulto chato, mais nada.

O que ele precisa é ser educado devidamente, isto é: o proprietário precisa saber incentivar o bom comportamento e a obediência ao líder. É assim que os cães educam seus filhotes. Da mesma forma é preciso reprimir os maus hábitos e a desobediência. Quanto mais clara for esta diferença, mais facilmente nosso filhote irá se comportar como queremos.

Ao mimarmos um cão estamos simplesmente nos eximindo da obrigação de educá-lo. Ele não será mais feliz sendo mimado. E como poderia? Ele será muito mais feliz se seu dono puder educá-lo bem, para que ele seja agradável com todos. E então, naturalmente ele receberá muito carinho. Todos adoram um cão educado! E nada faz dá mais felicidade a um cão do que sentir que é muito amado.  

 

 

 Mordidas - porque os filhotes mordem?


Quando um filhote brinca com seus irmãos de ninhada, toda brincadeira envolve morder, rosnar, caçar, etc.  

Quando a fêmea quer dar uma bronca em seus filhotes, ela morde levemente seu focinho. Desta forma vemos que as mordidas são parte comum do aprendizado do filhote. Por isso é muito comum que aquele filhotinho que você acabou de levar para casa tenha o costume de morder. Ele costumava morder os irmãos dele, por que não morderia você? 

Alguns donos menos experientes costumam se assustar, e associar essas mordidas à agressividade.  Outros acham que essas mordidinhas são tão inofensivas, que não fazem nada a respeito. Como diz o velho ditado “nem tanto ao mar, nem tanto à terra”. As mordidas nada têm a ver com agressividade, mas nem por isso devem ser toleradas. Quanto mais cedo acabarmos com esse hábito, melhor. Pois se você não fizer nada, terá um cão adulto que sempre que quiser brincar irá te morder. E, acredite, essa “mordidinha” irá doer.

A coisa é bem simples: chame seu filhote para brincar, e na hora que ele te morder diga NÃO com firmeza, pare a brincadeira, empurre-o para longe de você, e se possível saia de perto dele. Espere 30 segundos, e faca tudo de novo: chame-o para brincar, até que ele te morda, daí você diz não, e sai de perto dele. Não vai demorar muito tempo até que ele perceba que o que faz com que você pare de brincar com ele é a mordida. Provavelmente ele fará algumas tentativas para saber se é isso mesmo.  Ele irá brincar sem te morder, e de repente ele irá te dará uma mordida super delicada. Diga não! O certo é que ele não te morda nunca, mesmo que seja uma mordida delicada. 

Se você fizer isto com frequência, ele irá entender rapidamente. Mas o ideal é que todas as pessoas da casa ajam da mesma forma. É muito comum que crianças “se deixem” morder, só para continuar a brincadeira. Se você tiver crianças em casa, ensine-as a fazer a mesma coisa: se ele morder, elas devem parar a brincadeira. Como os filhotes adoram ter atenção, e adoram brincar, rapidamente ele deixará de morder. 

Outra coisa que costuma dar certo, para cães que insistirem em continuar a morder, é apertar a língua dele para baixo, com o dedão. Toda vez que ele te morder, você aperta a língua. Não vai demorar muito para ele parar de te morder.

Não tenha pena do seu cão por querer educá-lo. Um cão que não conhece limites vira um cão adulto muito chato.  E, invariavelmente, acaba ficando sozinho o dia inteiro, pois ninguém gosta de ficar, ou brincar, com ele.

Adestramento Virtual –

Socializando seu cão


U m problema que chateia muitos donos de cães é a agressividade que seus cães demonstram frente a pessoas desconhecidas e outros cães na rua.  Este é um sintoma típico de cães que não foram devidamente socializados quando filhotes, ou seja: o cão acredita que a aproximação de outro cão, ou de pessoas estranhas a ele, significa um perigo potencial, então ele reage agressivamente.

Muitas vezes o próprio dono reforça este comportamento agressivo do cão, mesmo sem se dar conta disso. É o que acontece toda vez que um dono, ao ver seu cão latir ou rosnar para estranhos, faz carinho nele para acalmá-lo. Na visão do cão o carinho é uma recompensa, logo ele está sendo recompensado pelo comportamento agressivo. Com isso o cão acredita que aquele comportamento é o que o seu dono espera dele. Pronto!  Está feita a confusão!

Outras vezes o proprietário vê alguém se aproximando e, já sabendo que seu cão será agressivo, fica tenso. Ao sentir que seu dono ficou tenso, o cão tem a confirmação de que a aproximação de pessoas estranhas é uma situação perigosa, e se é perigosa ele deve proteger seu dono. Logo ele late e rosna para este estranho perigoso.

Para que estas situações não aconteçam devemos acostumar o cão a andar calmamente entre pessoas desconhecidas, e outros cães também. Isso deve ser feito o mais cedo possível. O ideal é que se comece a sair com o filhote na rua assim que o veterinário o liberara para sair. Leve seu cão a praças ou parques e então faca com que seu filhote possa brincar com outros cães de idades, raças e sexo distintos. Da mesma forma deixe que ele brinque com pessoas bem diferentes.  Faca com que este contato seja o mais prazeroso possível. Isso o deixará bastante sociável e tranquilo.

Isso deve ser feito mesmo com cães de guarda. O fato de ele ser sociável na rua não fará com que ele seja um pior guarda na sua casa, muito pelo contrário: um cão medroso é um péssimo guarda, pois nunca será capaz de distinguir uma situação de perigo real de outra qualquer, já que todas lhe dão medo.

Esse trabalho  despenderá um pouco de tempo e paciência dos donos, mas se feito de forma frequente dará ótimos resultados.

Tal treinamento também funciona muito bem para machos “adolescentes”. É o caso daquele macho que quando era filhote era muito sociável, mas quando começa a amadurecer sexualmente, começa a mostrar agressividade com outros machos.  Neste caso, o que detona a agressividade não é o medo, mas a dominância. Se este for o caso do seu cão, faca o exercício que descrevo abaixo tendo como objetivo aproximar o seu cão de outros machos. O procedimento é o mesmo, só o objetivo é que muda.

A questão aqui é fazer com que o cão associe o contato com pessoas, ou animais,  com coisas prazerosas.  Para tanto devemos levar este cão a um local público, e ficar numa distância mínima de outras pessoas e animais, onde o cão se sinta seguro.  Brinque com ele, faca carinho e dê petiscos a ele.  Distraia o seu cão de forma que ele nem perceba as pessoas (ou outros animais) à volta.

A cada dia diminua um pouco a distância entre vocês e os outros, até que você perceba que seu cão já se sente seguro o suficiente para  interagir com eles.

Da mesma forma que antes, este exercício deve ser gradativo.  Comece deixando que alguém se aproxime bem devagar do seu cão.  Ao mesmo tempo faca muito carinho nele, e dê um petisco. Se ele se mostrar alegre com este contato, deixe que ele brinque à vontade, sempre tendo-o sob sua vigilância para qualquer eventualidade.  Se, no entanto ele ainda mostrar receio do contato com estranhos não force nada. Afaste-se um pouco, e espere mais uns dias para tentar outra aproximação.

Se ele ainda se mostrar agressivo, dê um tranco na guia e diga NÃO!  Mostre a ele que você está no controle da situação, que é o líder. Mostre claramente que essa atitude agressiva é inadmissível. Quando ele se acalmar faca carinhos nele, e afaste-se das outras pessoas. Comece, então tudo de novo! Se ele ainda mostra agressividade é porque ainda tem medo deste contato, portanto você foi rápido demais.

Fique atento aos sinais que seu cão dá, quando fica agressivo, antes de atacar. O normal é que ele fique com os pêlos do dorso arrepiados; então ele comecará a latir, ou rosnar. Não espere até que ele tente atacar para reprimi-lo.  Assim que você perceber algum sinal de agressividade dê o tranco e diga não!

Para que esse treinamento dê certo são necessários:

·         Paciência:  Seu cão não ficará sociável da noite para o dia.  Isso leva tempo.

·         Frequência: Só assim a lição será absorvida com sucesso.

·         Liderança: Se você está no comando, seu cão não terá motivos para temer coisa alguma, já que o líder considera tal situação como segura.

·         Rigidez: Não permita que seu cão se mostre agressivo com os outros.  Isso é uma demonstração clara de que ele não confia na sua liderança.

 

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Última modificacão: 26 novembro, 2013